Procurador de MG: “como é possível viver com R$ 24 mil?”

Um salário de R$ 24 mil não é a realidade da maioria dos brasileiros que sobrevive com uma renda domiciliar per capita no Brasil foi de R$ 1.373, mas para o procurador Leonardo Azeredo dos Santos R$ 24 mil é considerado um “miserê”.

Em áudio de reunião oficial da câmara de procuradores que discutia o orçamento do órgão para o ano que vem, o procurador se mostra frustrado com falta de aumento e diz que o salário não condiz com a realidade financeira vivida por ele que precisou deixar de gastar R$ 20 mil no cartão de crédito para gastar R$ 8 mil. O áudio possui uma hora e quarenta minutos da reunião e Azeredo questiona o procurador-geral de Justiça do estado, Antônio Sérgio Tonet:

“Quero saber se nós, no ano que vem, vamos continuar nessa situação ou se Vossa Excelência já planeja alguma coisa, dentro da sua criatividade, para melhorar nossa situação. Ou se vamos ficar nesse miserê. Quem é que vai querer ser promotor, se não vamos mais ter aumento, ninguém vai querer fazer concurso nenhum”.

Leonardo Azeredo dos Santos, Procurador

Realidade diferente da maioria dos brasileiros

Apenas oito das 27 Unidades da Federação apresentam o rendimento nominal mensal domiciliar per capita superior à média nacional, que é de R$ 1.373 segundo pesquisa do IBGE. Os dados mostram as disparidades significativas entre as diversas regiões do país. No Norte e Nordeste, por exemplo, estão localizadas as três Unidades da Federação com menor rendimento nominal mensal domiciliar per capita do país: Maranhão, o de menor renda per capita, com apenas R$ 605, e Alagoas, com R$ 714, ambas na Região Nordeste; e o Amazonas, na Região Norte, onde a renda per capita domiciliar é de R$ 791.

Em contrapartida, a Unidade da Federação com o maior rendimento nominal mensal domiciliar per capita da população residente é o Distrito Federal, de R$ 2.460. O rendimento domiciliar per capita da capital do país chega a ser mais de quatro vezes o rendimento per capita de Alagoas.

Das oito Unidades da Federação com os maiores rendimentos per capita, três estão situadas na Região Sul, três no Centro-Oeste e duas no Sudeste.

Além do Distrito Federal, aparecem entre as oito unidades de maior rendimento São Paulo (a segunda maior renda com R$ 1.898) e Rio de Janeiro (a terceira maior com R$ 1.689), ambas no Sudeste; Paraná (R$ 1.607), Santa Catarina (1,660) e Rio Grande do Sul (R$ 1.705), ambas na Região Sul; e Mato Grosso do Sul (R$ 1.439) e Mato Grosso (R$ 1.386), na Região Centro-Oeste.

Minas Gerais, estado onde reside o procurador “reclamão”, encontra-se o sétimo maior rendimento mensal médio do Brasil, com R$ 1.128 per capita.